Arquivo do mês: Novembro, 2010

Pela Grécia, uma laranja é uma portokalia.

Somos um fruto, por lá.

Image: Danilo Rizzuti / FreeDigitalPhotos.net

A NATO tem um nome oficial em português: OTAN. No entanto, o nome real, usado efectivamente por quase todos os falantes da língua (em Portugal) é NATO. A língua tem razões que a lógica desconhece, e neste caso não há grande coisa a dizer: a NATO continuará a ser NATO e a fazer cimeiras em Lisboa. Já em Espanha, será OTAN, sem ninguém achar estranho.

Também o Marquês tentou mudar o nome de Terreiro do Paço para Praça do Comércio e está demorado…

Exemplos de verbos que são substantivados frequentemente.

Substantivar é um exemplo dum substantivo que se transforma em verbo.

As palavras lá vão saltitando, sem parar.

Esta é uma palavra inventada. Será que sugere algum significado, nalguma língua, a alguém? A que língua poderia pertencer? Será um verbo, um substantivo? Alguém tem ideias?

As palavras às vezes seduzem-nos de formas misteriosas. Tenho uma amiga que gosta muito da palavra inglesa manure, sem gostar especialmente do correspondente português — e, muito menos, da realidade que a palavra representa. Quem mais terá palavras de que gosta muito só pelo som ou pelo aspecto gráfico?

Manure noutras paragens: mist, na Alemanha, fumier na França, simaur no País Basco, estiércol noutras zonas de Espanha, estrume por cá…

Repare-se, já agora, como a bruma inglesa se transforma no estrume alemão…

O que é um životopis? Alguém imagina de que língua (ou línguas) é esta palavra?

As palavras dão muitas voltas. A palavra ordinário, por exemplo, quer dizer muitas coisas: “dentro da ordem prevista”, “normal”, “vulgar” e “reles”. Podemos utilizar em expressões como “assembleia ordinária” e “homem ordinário”.

Como conseguimos ir de “reunião dentro da ordem prevista” a “homem reles” numa só palavra?

Uma hipótese: sendo aquilo que está dentro da ordem prevista algo “vulgar” (=”comum”), logo passámos ao significado “vulgar=reles” — e, assim, temos “ordinário” enquanto “reles”.

Claro que o caminho que a palavra fez, de facto, ao longo da sua história pode ter sido diferente. Um dicionário etimológico esclarecerá esta dúvida.

De qualquer forma, este exemplo mostra-nos que temos de evitar o purismo terminológico, que leva algumas pessoas a criticarem certos usos porque estes não se enquadram na origem da palavra. As palavras ganham significados como quem vai à loja e começa a escolher roupas novas, ao sabor do capricho — ou, pelo menos, do uso criativo que os falantes lhes vão dando. Todos nós inventamos ao falar e mudamos subtilmente a língua a cada conversa. Sempre assim foi e dificilmente deixará de ser. Um mundo em que as palavras mudam assim é bem melhor que um mundo onde as palavras vestem uniforme.

P.S. Tentamos ter um post neste blogue todos os dias. Este é, portanto, um post ordinário. Acontece.

Quem andar por Cardiff, poderá encontrar a seguinte indicação:

A palavra “blwch llwch” é a curiosa forma galesa de dizer “cinzeiro” em galês.

O galês, uma das duas línguas oficiais do País de Gales (a outra é, quem diria, o inglês), é uma língua céltica e, por isso, bastante afastada do inglês (embora também indo-europeia). É falada por uma parte substancial dos galeses, principalmente no norte do país.

Como é uma língua minoritária, tem necessidade de afirmar a sua identidade não inglesa. Assim, até uma palavras universal como “internet”, em galês, traduz-se por “rhyngrwyd“.

E computador? “Cyfrifiadur“…

Até os termos informáticos parecem saídos da boca do Rei Artur, quando ditos em galês.

Uma viagem ibérica, com um pequeno desvio, pela cambota.
Coimbra: Cambota
Burgos: Cigüeñal
Donostia-San Sebastián: Birabarki
Toulouse: Vilebrequin
Lleida: Cigonyal
Gibraltar: Crankshaft

E, por fim, o que é a cambota? O artigo da Wikipédia ajuda.

O Ethnologue é um catálogo das línguas do mundo, que inclui línguas raras ou em vias de extinção.

Entre os milhares de línguas, temos, por exemplo, o Wymysorys, uma língua falada por aproximadamente 70 pessoas, na Polónia, na região de Wilamowice.

A língua está relacionada com o alemão. A ortografia, no entanto, está mais próxima do polaco. Uma canção infantil em Wymysorys:

Śłöf maj buwła fest!
Skumma fremdy gest,
Skumma muma ana fettyn,
Z’ brennia nysła ana epułn,
Śłöf maj Jasiu fest!

Em alemão, seria:

Schlaf der Bube fest!
Es kommen fremde Gäste,
Es kommen Basen und Vettern,
Sie bringen Nüsschen und Äpfel,
Schlaf der Jasiu fest.

Fonte da canção: “Vilamovian language” in Wikipedia e “Wilmesaurisch” in Wikipedia [2010-11-02].

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